• 28 de novembro de 2008
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Uma ascensão que parece com a vida

A noite estava quase no seu auge. Quando saímos da hospedaria do Mosteiro Santa Catarina, era em torno de duas e meia da manhã. Nosso objetivo era de subir até o monte Moisés para admirar o nascer do sol sobre o maciço do Sinai. ou monte? Não éramos os únicos a empreender (iniciar ou executar) esta ascensão. (Subida ou escalada) No caminho, algumas pessoas nos ultrapassavam, outras, éramos nós quem ultrapassávamos. Haviam vozes inglesas, italianas, árabes, hebraicas, alemãs e tantas outras que não soubemos descrever. E logo, eu me disse que esta ascensão parecia, realmente com a vida dos homens. Todas as formas de afrontá-la estavam ali. Existem aqueles que trilham modestamente a vereda e a segue a passos regulares. Aqueles que correm e param demoradamente para retomar fôlego. Aqueles que cortam o caminho e sem cessar correm o risco de cair no fundo do abismo. Aqueles que gritam e cansam os outros. Aqueles que cantam e aqueles que cantarolam. Aqueles que param no caminho e voltam atrás. Aqueles que estão sozinhos e aqueles que caminham acompanhados. Aqueles que se agarram ao seu terço e não deixam a oração. Alguns decidem montar o camelo. É um tempo de graça, mas de curta duração: brevemente o caminho estará muito íngreme. E estando sobre suas próprias pernas a caminhada é ainda mais penosa. Alguns param nos quiosques, como se pára na Igreja, para reencontrar um novo vigor. Alguns choram de esgotamento e terminam por encontrar o homem que lhes devolve a esperança. O caminho é duro. Ele é cada vez mais duro. Se, ao fim da noite, não houvesse mais o sol que se levanta, se não houvesse a beleza de um mundo novo, se não houvesse o repouso da contemplação, ninguém empreenderia (executaria ou iniciaria) a ascensão. (subida ou escalada?) O caminho é duro para todos. E ainda mais duro, para aqueles que sofrem do coração assim como para aqueles que estão sozinhos, como para aqueles que tem fome, como para aqueles que tem pernas curtas. Neste caminho, eu conheci somente um verdadeiro reconforto: o sorriso de um desconhecido que se torna logo um amigo, o gole d’água oferecido por um irmão, a mão que se abriu para pegar a minha e me impulsionar um pouco. Pontos Coração, não tem outra ambição: ser este sorriso, esta gota d’água, esta mão que vêm se oferecer por um instante no caminho. Ser este sorriso, esta gota d’água, esta mão que nos falam – não sabemos por quê – do sol que em breve veremos nascer. Este sorriso, esta gota d’água, esta mão que permite aos pobres de avançar na vida.

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