• 11 de setembro de 2014
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Testemunho de Jeanne «A missão me tornou mais humana»

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Quero ajudar »

« Gostaria de dar mais sentido à minha vida »

« Quero sentir que contribuo em alguma coisa »

« Quero sentir-me útil »

« Quero estar próximo(a) da realidade ».

Existem milhares de razoes que nos levam a partir em missão, queremos ir dar algo. Mas uma vez que voltamos para nossos familiares, nos damos conta que recebemos mais do que qualquer outra coisa.

A Associação « Pontos Coração » é uma imensa família, na qual cada um é muito bem vindo. Os voluntários, as famílias, crianças, todos te acolhem de braços abertos, e acabamos desenvolvendo uma certa solidariedade.

Algo muito bom foi viver em duas dimensões (que acabam se unindo): a dimensão espiritual e a material. Durante o dia, celebramos vários ofícios, vivemos em plena fé, rezamos por certas coisas, e uma vez que saímos da igreja, está na hora de aplicar essas coisas pelas quais rezamos. Me ajudou a guardar uma certa serenidade. Antes, para mim, ir à igreja era algo ocasional. Mas em Pontos Coração acabou se tornando algo que me ajudou bastante, algo que eu precisava no meu dia-dia. No primeiro dia, durante a adoração, em pleno silêncio, reparei que podíamos ouvir o cantos dos pássaros e as crianças brincando do lado de fora, sentir o vento passando pela igreja, achei maravilhoso. Quando vivemos na cidade, esquecemos a importância de parar o tempo para refletir, pensar sobre si, nossa vida, nossos objetivos, o que realmente queremos. Sempre vivemos na correria, então que podemos encontrar certas respostas com um pouco de reflexão. As tarefas na Fazenda ajudam bastante a entrar no ritmo. Talvez a primeira semana seja a mais difícil, porque ainda não conhecemos bem o lugar, mas depois disso passa tão rapidamente…

As ações realizadas durante o dia me deixaram mais humana. Criamos um contato verdadeiro com as pessoas que visitamos. Tentamos dar às famílias o máximo de conforto que conseguimos pelo simples poder da presença, compartilhando momentos especiais. Sentamos com as pessoas, conversamos sobre sua vida, nossa vida. São coisas simples: desenhamos com crianças, brincamos de futebol, pulamos corda. É bom ver que podemos trazer momentos especiais, momentos de felicidade. É incrível porque somos estrangeiros, mas em pouco tempo nos sentimos em casa. Os momentos que passei na fazenda também tiveram uma grande importância. Fazer as lições todos os dias com o Daniel por exemplo: Enquanto ele me ensinava paciência, eu o ensinava a historia do Brasil ou o processo do movimento dos ventos. E foi ótimo poder ver ele progredindo! No começo ele ficava com preguiça, reclamava às vezes; mas com o tempo ele passou mostrar interesse nas matérias quando ligadas à vida « real ». Por exemplo, a colonização do Brasil pode parecer chata, mas a aventura de exploradores brancos em busca de riquezas no novo país chamado Brasil já se torna interessante. Também criamos um laço verdadeiro quando passamos tempo com todas as crianças. Tivemos a ocasião de fazer tantas atividades originais como uma caça ao tesouro ou uma trilha na floresta. Nesses momentos brincamos mas também aprendemos: ser um time e dividir o tesouro, contar sua historia e deixar o outro contar a sua, ajudar os mais pequenos…

Em conclusão, adorei essa experiência porque eu pude refletir bastante enquanto estava na Bahia. Os Padres, as Irmãs e os voluntários que conheci são todas pessoas ricas em sabedoria, um exemplo para muitos. São organizados, cheios de bondade e generosos. Acho que todos esses adultos trazem muita alegria ao lugar. Também tive a oportunidade de realizar varias ações inesquecíveis. Indo em orfanatos, favelas, visitando idosos, me dei conta que somos seres cheios de amor e que temos que compartilhá-lo o máximo que podemos. O mais difícil foi ir embora, deixar de organizar caças ao tesouro, contar aventuras ao Daniel, acordar de manha sem receber « o abraço mais forte do mundo » do Bernardo, que tem 2 anos. As ações que realizamos em missão são muito lindas, mas deveriam ser repetidas para ter um real impacto.

Jeanne Chaverot


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