• 24 de novembro de 2008
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Quem ainda ousa caminhar sobre as águas?

Quem ainda ousa caminhar sobre as águas? De um Ponto Coração a outro no 4, setembro de 1993 Ao alvorecer deste século, uma voz muito doce — a de Santa Teresinha — rediz as palavras de Jesus: “Não vos preocupeis com a vossa vida quanto ao que haveis de comer, nem com o vosso corpo quanto ao que haveis de vestir. [...]Olhai as aves do céu: [...] vosso Pai celeste as alimenta. Ora, não valeis vós mais do que elas? [...]Por isso, não andeis preocupados, dizendo: Que iremos comer? Ou, que iremos beber? Ou, que iremos vestir? De fato, são os gentios que estão à procura de tudo isso: vosso Pai celeste sabe que tendes necessidade de todas essas coisas. Buscai, em primeiro lugar, seu Reino e sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas. Não vos preocupeis, portanto, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã se preocupará consigo mesmo. A cada dia basta o seu mal”(Mt. 6, 25-34).

As metralhadoras abafaram a voz, e os martelos sobre as bigornas e os agentes de câmbio na bolsa, e o sopro dos computadores, e os conselhos açucarados dos astrólogos, e as previsões sórdidas dos planejadores.

E todo mundo tem medo. Teme-se por seus filhos e decide-se não ter mais: mata-se-lhes. Teme-se pelo futuro: e decide-se não ter mais: mata-se a si mesmo. E a pequena voz repete àqueles que a escutam: “É a confiança e nada mais que a confiança que conduz ao amor...”

Deus está aqui. E isto não é uma farsa. “Não temas, porque estou( sempre) contigo” (cf. Is. 41,10). Deus nos ama. E isto não é uma piada: “Deus amou tanto o mundo, que deu a sua vida por nós.” (cf. Jo.3,16). Deus é nosso Pai. E não é um Pai falso: “Nosso nome está gravado nas palmas das suas mãos” (cf. Is. 49,16).

Se diz crente e age como se estivesse sem Deus. Se diz filho e age como se fosse órfão. Ele nos carrega e se diz incapaz de caminhar sobre as águas.

Não se leva Deus a sério. Isto dói!

Portanto, o creio, Deus vê: Ele não é cego. Deus escuta: Ele não é surdo. Deus sabe: Ele não é ignorante. Deus age: Ele não é preguiçoso. Enfim, Ele não se afastou no Céu, como nós nos aposentamos!

O creio: “Para Deus (...) nada é impossível” (Lc. 1,37).

Então, está decidido: Eu agarro a Sua mão e não a largarei mais. Confiarei nEle cegamente até nas menores coisas. Eu acreditarei além de toda esperança. Eu recusarei me inquietar: Ele é meu Pai bem-amado!

Eu lhe dou até minhas duas mãos, quem sabe: eu ainda seria capaz de guardar uma para construir minha vida! Eu fecho meus dois olhos, quem sabe: eu ainda seria capaz de querer perceber um trecho do caminho...

Eu me entrego de corpo e alma para Ele, eu lhe entrego ontem, hoje e amanhã, eu lhe entrego meus bens e meus amigos.

Eu esvazio o meu coração para não ser nada mais que Ele. Eu esvazio as minhas mãos para não ter nada mais que Ele.

Sim, eu não sou mais que uma criancinha... Tenho um verdadeiro Pai que se ocupa de tudo... Uma só coisa me importa: ser um olhar para Ele...

“Eu acredito que nunca passei mais de três minutos sem ter pensado em Deus.” (Santa Teresinha do Menino Jesus).

Eu, um olhar para Ele...* “O Pai não tem nada, Ele é somente um olhar para o Filho. O Filho não tem nada, Ele é somente um olhar para o Pai. O Espírito Santo não tem nada, Ele é somente uma aspiração para o Pai e o Filho.” (Maurice Zundel).

É estranho como os homens desconfiam daquele que tem confiança em Deus... Parece que eles pensam que os santos apóiam-se sobre um fantasma! Verdadeiramente, um homem que se abandona em Deus faz medo... Como é peculiar! Se diz: “Ele não é prudente!” – A inteligência humana seria mais forte que a Providência de Deus? Se diz mais simplesmente: “É um louco!” – Não está aqui a única sabedoria? –

E se, eu e vocês, começássemos a exagerar na loucura! Se começássemos a exagerar na confiança! Simplesmente para dizer a Deus: “Eu te amo, Pai tão presente!” É bonito dizer: “Eu sou cristão praticante! – Mas, mostre-me tua fé”, diz Deus. É bonito dizer: “Contigo eu não temo nada! – Pois bem, saia do teu barco e venha ao meu encontro”, diz Deus.

Neste século, Deus está a procura de homens que aceitam caminhar sobre as águas! Ele busca homens que Lhe tenham confiança em tudo, verdadeiramente, em tudo! Homens que não Lhe entregam seus trabalhos quando tudo já está terminado, mas que Lhe confiam antes mesmo de começar e no decorrer pedem a sua ajuda e terminando oferecem ao Seu coração. Deus procura homens que entregam tudo em suas mãos, como Maria. E ninguém pode imaginar o fruto dessa entrega! Senão olhando o fruto de Maria!

“Ele pegou minha mão e eu me deixei conduzir.” É a constatação da irmãzinha Madalena ao fim de sua vida. Tenho a audácia de retomá-la aplicando-a à curta história da Obra. Pois, para ser verdadeiro, não fui eu quem pegou a mão de Deus, – tampouco, os Amigos das Crianças que pegaram a mão de Deus – foi Ele quem me agarrou e me agarra ainda.

Ele me guia através do mundo. Ele organiza tudo nos mínimos detalhes. Ele chama os jovens e os protege. Ele consola aqueles que choram e freqüentemente deixa ser o que os homens gostariam de mudar. Eu tenho uma só coisa a fazer, como cada Amigo das Crianças: tentar seguir.

A minha oração: é a da bem-amada do Cântico: “Arrasta-me contigo, corramos!” (Ct 1,4)

Nos Pontos Coração, os Amigos das Crianças chegam de mãos vazias... Elas não ficam por muito tempo assim! Centenas de pequenas mãos as agarram e as conduzem a uma aventura que ultrapassa a da área de lazer: a aventura de uma audaciosa confiança em Deus.


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