• 7 de setembro de 2017
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Quarta carta aos padrinhos de Sthefane, em missão no El Salvador

San Salvador, 25 de Agosto de 2017

Quando eu aprender amar a Deus mais do que qualquer coisa que eu amo na Terra, amarei o que é mais querido para mim, melhor do que fiz até agora. Quando aprendo a amar o que mais amo na terra a custa de Deus e no lugar de Deus, vou me mudar para aquele estado no qual nem se quer poderei amar o que mais amo na terra. Quando as primeiras coisas são colocadas primeiro, as segundas coisas não são suprimidas, senão aumentadas.

(C.S Lewis)

Oi padrinhos, família e amigos,

Venho mais uma vez compartilhar com vocês dessa linda missão que Deus nos presenteia. Já caminho para os meus oito meses de missão, oito meses cheios da graça e do amor de Deus. Hoje a frase “Os planos de Deus são melhores que os nossos” tem totalmente sentido pra mim. Ter deixado minha família, meu namorado, meus amigos e ter parado meus estudos, foi muito difícil, mas hoje, vejo que foi a melhor decisão que eu tive em toda minha vida. Posso afirmar a vocês que essa missão está mudando a minha vida.

Dá-me entender Senhor o seu amor tão puro que persevera na cruz; amor perfeito. Me ajuda a ser fiel quando tudo está escuro, para que o meu amor seja mais do que um sentimento.

Hoje vou contar um pouco sobre Dona Blanca e seus três netinhos: Jordan (5 anos), Neemias (3 anos) e Jonathan (1 ano e meio).

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Os meninos são de uma das filhas de Dona Blanca. Tem mais ou menos um mês e meio que os pais dos meninos foram presos. Agora as crianças estão sobre a guarda da avó. No dia seguinte em que a polícia tinha levado Iris e Jonathan (os pais), enquanto Dona Blanca arrumava suas coisas para vender pupusas (pupusa é um prato típico de El Salvador), ela nos contava tudo que havia passado e nos perguntava como ela ia fazer com esses três meninos, já que ela mora com sua outra filha, com mais dois netos. Ela estava com uma mistura de sentimento de estresse com tristeza e revolta contra a filha que está presa. Diante desse momento nenhuma palavra que eu dissesse, poderia conforta-la, então decidi apenas abraça-la e dizer que ela poderia contar conosco.

Dona Blanca, tem uma vida bem delicada, pois mataram seus dois filhos e ela sofre muito com isso. Muitas vezes, podemos ver que ela não tem estrutura física e psicológica para cuidar de Jordan, Neemias e Jonathan.

Sempre ajudávamos Dona Blanca no que podíamos. Quando não podíamos ficar com as crianças, sempre passávamos na sua barraquinha de vender pupusas e ficávamos com ela, conversando, compartilhando nosso tempo. Ela estava cheia de gratidão pela nossa presença. Cada dia que passava, podia ver minha amizade com ela crescer mais e mais. Eu estava muito feliz por essa graça. Até que um dia resolvemos projetar um filme na nossa passagem para as crianças do bairro. Tudo ia muito bem, Charo ficou recebendo as crianças que estavam chegando, enquanto eu e Matias buscávamos outras crianças. Nesse pouco tempo que Charo ficou sozinha, dois meninos começaram a brigar atrás de Jonathan, na briga eles acabaram esbarrando em Jonathan e ele caiu no chão. Dona Blanca, viu isso acontecer de longe, veio extremamente irritada pegou Jonathan, Jordan e Neemias e os levou para casa. Depois desse dia, ela não falou mais direito com a gente, nos tratava com muita indiferença. Seu coração ficou tão fechado e endurecido, que ela proibiu os netos de vir brincar na nossa casa. Comecei a sentir uma dor muito grande no meu coração, primeiro porque ela não queria mais ter amizade com a gente, segundo porque ela proibiu os meninos de estar conosco em nossa casa. Estava me sentindo tão rejeitada e isso doía no mais profundo do meu ser.

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Mas eu comecei a ter um olhar diferente nessa situação toda, fiz memória de quantas vezes meu coração está totalmente endurecido e fechado para Deus, consegui entender que muitas vezes Deus sofre assim como eu estava sofrendo. Tenho certeza que Deus me fez viver toda essa situação para que eu pudesse refletir sobre minha vida e minha relação com Ele.

Continuei rezando pela Dona Blanca, para que Deus pudesse amenizar toda essa dor que ela vem sentindo. Passado alguns dias, ela apareceu na nossa porta me chamou e com um sorriso no rosto, disse que tinha comprado umas verduras pra gente, retribui o sorriso e agradeci muito pelo carinho com a gente. Tenho certeza que essa atitude foi fruto do amor que ela recebe de Pontos Coração, que é um amor que vem totalmente de Deus. Depois desse dia, tudo voltou ser como era antes. Hoje, vivenciando tudo isso, vejo que realmente o amor é capaz de mudar o mundo. Agradeço a Deus cada dia mais e mais por estar aqui, vivendo constantemente a misericórdia de Deus na minha vida e na vida dessas pessoas.

Muito obrigada mais uma vez, por estarem ao meu lado todos esses meses. Sem o apoio de vocês nada disso seria possível.

Peço que continuem rezando e peço principalmente suas orações para essa família. Vocês estão no meu coração todos os dias.

Com amor e carinho,

Sthefane


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