• 28 de agosto de 2015
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Primeira carta de missão de Marcello no Honduras

Queridos padrinhos, amigos e família,

Desde que cheguei em Tegucigalpa, aqui em Honduras, no dia 11 de Junho, já se passaram quase 3 meses de missão. Como o tempo passa muito rápido! Foram quase 15 horas de viagem, uma viagem bem exaustiva, mas a ansiedade de chegar em terras “catrachas” ( termo popular para “hondurenho”) era enorme! Quando cheguei quase fui obrigado a reembarcar ao Brasil porque não tinha o endereço da minha nova casa. Mas a providência de Deus e, tenho certeza, as orações de vocês, fizeram com que os caminhos se abrissem e com que uma policial federal saísse de seu posto para buscar as pessoas que estavam me esperando e perguntá-las onde morávamos!

Nesta primeira carta preferi abordar um pouco mais o nosso dia a dia, para que você também pudesse participar de todos os momentos junto comigo. Moramos em uma colônia ( como chamamos uma “comunidade” aqui) muito simples e repleta de seus problemas, mas também com suas inúmeras belezas. Tudo se parece muito com o Brasil. Em nossa casa, que se chama Punto Corazón Santa Maria Goretti, junto comigo, vivem mais 5 missionários: Nicolas, um missionário consagrado francês; também duas chilenas, Maria Jesus e Francisca; uma polonesa chamada Nina; e uma francesa chamada Maria Capucine, que acaba de chegar, todas são missionárias como eu, comprometidas por um tempo definido.

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Essa é a parte externa da nossa casa, com um pequeno pátio, onde, na maioria das vezes, podemos brincar com as crianças.

Na parte de baixo, na primeira porta do lado esquerdo da foto fica o meu quarto e de Nicolas. Um pouco atrás da escada, temos a porta de nossa capela e, do outro lado, temos o quarto da polaca e da francesa. Bem ao lado do quarto das meninas, tem uma pequena cisterna e dois tanques, onde lavamos nossas roupas e pegamos água para a limpeza e para o banho.

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Na parte de cima, da esquerda para direita, temos uma pequena cozinha conjugada com a sala, onde todas as Quartas Feiras temos a grande alegria de poder participar de uma missa em nossa casa, juntos com nossos vizinhos e amigos. Bem ao lado temos uma pequena sala de convivência e, em seguida temos o quarto das chilenas.

Temos a imensa oportunidade de morar em uma casa com uma pequenina capela, muito simples mas muito rica!!! Estou certo de que lá podemos encontrar o nosso maior tesouro, assim como podemos depositar nossas angústias, partilhar nossas alegrias, ter o consolo na aflição, confiar nossos amigos, nossos padrinhos, nossos familiares e suas intenções, certos também de que esse é o lugar onde encontramos a verdadeira Paz.

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E assim está o meu coração: transbordando de paz, alegria e amor!!! Posso dizer que muito da paz e da coragem que tenho hoje, pude receber com as mensagens de carinho e apoio de vocês!

Aqui nós vivemos na simplicidade, por vezes não temos água encanada para tomar banho e lavar a louça, por exemplo. Por sorte temos água dia sim, dia não... Na maioria das vezes sim e dependendo do horário também, quando não a temos, pegamos na cisterna. Mas isso nos mostra que podemos viver com muito menos do que aquilo que temos ou achamos que devemos ter.

Não comemos tudo aquilo que queremos ou o quanto queremos, mas e os nossos vizinhos!? Isso também se passa com eles, que por muitas vezes nos oferecem, com muito carinho, um pequeno pedaço de pão, compartilham conosco seu tudo!!!

Isso é maravilhoso: poder ver que quando nos entregamos por inteiro a Deus, recebemos também Dele o Seu tudo, o Seu amor infinito! Aprendemos a ser dependentes de Sua Providência, que nunca falha, e não de nossas próprias vontades, que por vezes nos levam para longe dos caminhos que Ele sonha para nós.

Nós somos chamados a ser exemplo para aqueles que se encontram em certo estado de desordem, ou seja, somos chamados a ser luz na vida daqueles que não a conseguem alcançar! Por isso temos certas regras e costumes, necessárias para vivermos na mais perfeita ordem, para o bem comum, para o nosso bem.

O nosso dia-a-dia é bem dinâmico: todos os dias rezamos as Laudes (oração da manhã), na capela e depois temos um pequeno tempo de estudos antes do café da manhã, às 8h. Ainda na parte da manhã, depois do café, temos uma escala para nossa hora de adoração. Almoçamos juntos e temos um pequeno tempo de descanso até o momento de rezarmos o terço. Após o terço, um de nós acolhe as crianças que chegam em nossa casa (chamamos esta atividade de permanência), enquanto todos os outros vão para as visitas aos nossos amigos (chamamos esta atividade de apostolado). Ao final da tarde nos reunimos novamente em nossa capela para rezarmos às vésperas (oração da noite) e vamos para a missa na igreja de São José Operário, a uns 10 minutos de nossa casa. Quando retornamos, esperamos o jantar e depois, às 21h30, temos um momento comunitário no final do dia em nossa capela, para pedir perdão pelas nossas faltas e agradecer pelo nosso dia.

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A segunda-feira geralmente é o dia reservado para o nosso descanso; na terça-feira nos dividimos em dois grupos e vamos às compras na parte da manhã; na quarta-feira temos a limpeza na parte da manhã, cada um fica responsável por uma parte da casa; na quinta temos um apostolado diferente: nos dividimos entre um asilo e uma penitenciária feminina. À noite temos um momento de estudo com algumas pessoas que tem uma relação de amizade com a comunidade (chamamos de escola de comunidade). Na sexta, pela manhã temos uma reunião, onde partilhamos nossa semana que passou e programamos as visitas e tarefas da próxima semana. Também aproveitamos para organizar alguns pontos da vida comunitária. Aos sábados e domingos temos uma programação mais simples, mais disponível aos encontros e convites que possam surgir durante a semana.

Nesta carta você pôde saber, um pouco, que temos uma programação de rotina semanal bem cheia. E para aqueles que temem um pouco a rotina, como eu, parecem se assustar no início. Mas a cada dia Deus nos reserva alguma surpresa diferente, que às vezes nos faz sair completamente dos nossos planos, até percebermos que não vivemos tanto essa rotina. Podemos até ficar um pouco frustrados em sair dos nossos planos, não compreendendo o porque muitas vezes, mas se seguimos os planos Dele, a recompensa pelo nosso “sim” é certa! Como Deus é bom! Ele prepara tudo para nós com tanto carinho e, por diversas vezes, nos preocupamos com detalhes tão pequenos.

Infelizmente não consigo transmitir e traduzir tudo aquilo que vivemos e sentimos por aqui... o trabalho diário é sempre exigente, tanto com nossa presença, quanto com nosso trabalho. Por isso já peço desculpas por não ter o tempo que gostaria para me dedicar a vocês, para me dedicar da mesma forma que vocês, que se dedicam tanto, para que essa nossa missão possa ser realizada. Tenham a certeza de que todos vocês, suas famílias e suas intenções estão em minhas orações todos os dias, sem nenhuma exceção! Obrigado por confiarem a mim seus pedidos de oração para que eu também possa fazer parte dessa maravilhosa rede de intercessão!

Gostaria de terminar esta carta agradecendo a Deus por tudo o que Ele tem preparado pra mim nesta missão, com muito carinho, pela grande oportunidade que Ele me deu: conhecer você!!! Não tenho como agradecer pela imensa oportunidade que você, querido (a) padrinho/madrinha, através de suas orações e/ou de sua ajuda financeira, me proporciona e proporciona também às nossas crianças e aos nossos vizinhos. Gostaria de reiterar a sua importância, a importância do seu «sim», a importância dessa missão que também é sua! Se estou aqui é porque você me apoia, e como você me apoia, a cada lugar que vou, também levo a sua presença. Não vejo a hora de revê-los para podermos partilhar as maravilhas que o Senhor tem feito na minha vida, através dessa missão nossa missão!! Mais uma vez, obrigado por tudo!!!

Que Nossa Senhora de Fátima nos acompanhe sempre.

Juntos em oração, juntos nessa missão.

Marcello Alves Marinho


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