• 19 de junho de 2012
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Luiz Gonzaga, o rei do Baião

Luiz Gonzaga nasceu há 100 anos numa pequena cidade de Pernambuco e vendo seu pai tocar nas festas e consertar sanfonas ele se apaixona, pouco a pouco, pela musica e a sanfona. Ele cresce ajudando seu pai no campo, sua mãe na feira e também realizando pequenos serviços.

Luiz Gonzaga se torna famoso e o gênero musical do baião aparece: células rítmicas extraídas do pipocar dos fogos, de moléculas melódicas tiradas da cantoria lúdica ou religiosa do povo catingueiro e, sobretudo, da alquímica associação com o talento poético e musical de alguns nativos nordestinos emigrantes como ele.

Através desse ritmo ele levou ao mundo nossas tradições, mostrando a saga dos retirantes, dos vaqueiros, dos repentistas, as nossas riquezas, como as feiras, as praias, os nossos pássaros, a vegetação da caatinga, além de cantar com a voz do protesto, denunciando irregularidades e cobrando providências.

Ele compôs Vira e Mexe (1941) para o seu primeiro contrato com a Rádio Nacional no Rio. O rei do Baião percorre as cidades do Brasil, vestido das roupas típicas dos vaqueiros do Sertão, com sua sanfona.

Durante toda sua vida, ele vai ao encontro dos retirantes que buscam encontrar uma vida melhor no Sul : “São pessoas cheias de esperança e é por isso que eu vou cantar para elas. Este canto é a única alegria deste povo exilado”, diz Luiz Gonzaga.

Os grandes cantores de hoje, como Caetano Veloso, afirmam a influência deste mestre na vida artística deles. Nas festas juninas, as rádios difundem o forró e o baião de Luiz Gonzaga.

« Essa alegria que mora dentro de mim é a mesma que antigamente. A gente não deixa o que é bom! Quem já não dedilhou os botões de uma sanfona? É por isso que eu amo a minha sanfona. Ela é minha companheira nas estradas, onde quer que eu vá... nunca nos abandonamos...”

Entrevistado alguns meses antes da sua morte, o rei do Baião falou sobre seus 50 anos de carreira: “Eu acho que corri, corri, corri e acabei parando em casa.” Como se, com sua missão cumprida, ele retornasse para casa. Ele sempre manifestou este amor por sua terra, perguntando a cada pessoa que ele encontrava: “Você é de onde?”


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