• 26 de janeiro de 2012
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Entrevista de Eduardo, voluntário francês na Coroa

Como é que você conheceu Pontos Coração?

Através de um amigo, Benjamin, que já veio em missão aqui no Ponto Coração da Coroa da Lagoa. Quando eu tinha 13 anos escutei o testemunho dele sobre sua missão no Brasil. Desde esse tempo isso ficou na minha cabeça e sempre tive vontade de sair, um ou dois anos, em missão. Cuidar de crianças e, sobretudo, ter uma vida de oração intensa se tornaram minhas maiores motivações para sair com Pontos Coração quando crescesse.

Que tem descoberto nestes dois primeiros meses de missão?

O descobrimento maior é a vida comunitária. Fazia três anos que eu morava sozinho. Obedecer à comunidade, descobrir de novo o valor das coisas pequenas, morar com outros, isso te incita a ir mais longe; isso é mesmo uma revolução na minha vida, é uma escola de humildade, aprendo a me abrir mais aos outros. Eu já estava acostumado a cuidar de crianças, mais aqui, o que elas querem é nós mesmos! Quando elas vêm pedir um copo de água, é sempre um pretexto para ficar conosco. Rian e Maria Luisa moram em frente do Ponto Coração e ficam o dia todo em casa, mas quando veem nossa casa aberta, chegam na hora.

Tem amizades que te tocam mais o coração?

Sim, sobretudo uma mulher, Dona M. Muitos de nossos amigos têm ainda esperança, mas com ela o sofrimento é mais visível, ela se queixa muito e guarda uma saudade enorme da partida do seu marido, 18 anos atrás. Apesar disso, temos momentos de amizade muito lindos com ela, fazemos muitas brincadeiras. Tem também outra mulher, Dona H, que é cega e chora a cada visita nossa. Não é fácil ficar ao lado dela. Nestes momentos percebo que nossa missão é levar Jesus àqueles que têm mais sede dEle. Muitas vezes ficamos com nossos amigos sem que nada pareça acontecer, mas na hora de sair, “é cedo”. Às vezes basta ficar em silêncio. Fico cada vez mais feliz de visitar nossos amigos, com o desejo de conhecer mais e mais pessoas, de ir mais longe na relação.

O que mudou na sua vida?

O modo de funcionar na minha casa era bem diferente. Na França eu fazia o que eu queria. Aqui descobri a alegria das exigências que te permitem ir até o fim das coisas. O ritmo dos dias, o fato de andar muito, me estimula a querer sempre mais, me ajuda muito a crescer pessoalmente. A vida de oração é o que mais ansiava.


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