• 27 de março de 2014
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Despedida de Dom Geraldo

Dom Geraldo e Ingride na Fazenda do Natal

O Cardeal Dom Geraldo Majella deixa a Bahia para voltar à sua terra de origem, aquela dos gaúchos. Um repouso bem merecido depois de uma vida rica de encontros, ensinamentos, responsabilidades diocesanas e romanas, de tanto trabalho!

Ele foi para nós um pai acolhedor, compreensivo, extremamente atento às necessidades espirituais e também matérias da Obra Pontos-Coração. Cada pessoa da Fazenda do Natal se lembra das suas numerosas visitas (mais de 20 em 15 anos), das celebrações litúrgicas, do carinho pelos mais pobres. Fazendo memória do seu primeiro encontro na Fazenda do Natal, ele contava a história do Sr Otacílio, idoso doente dos Alagados, o qual desejo terminar seus dias na Paz da nossa comunidade. “Vendo Otacílio entrar atrasado pelo fundo da Igreja, carregado na cama por quatros jovens voluntários, eu tive a impressão de reviver o Evangelho, aquela caridade que fez abrir um teto até descer um doente para ele encontrar Cristo”.

A presença de Dom Geraldo foi sempre uma oportunidade de repartir da essência do nosso carisma, da caridade “forma de todas as virtudes”, como dizia Santo Tomas de Aquino, “o coração da Igreja”. 1

Em cada encontro Dom Geraldo nos contava histórias “de João Paulo”, o seu caro amigo e pai, o Beato João Paulo II. Também de “Ratzinger”, o Papa Bento XVI, como dizia ele: “o colega de trabalho” lá na cúria romana. Ele nos permitiu inserir a nossa pequena história de Pontos-Coração Brasil, nas dimensões da universalidade da Igreja, da catolicidade.

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Dom Geraldo e Bento XVI

Foi assim muito forte a experiência do ano 2000 quando decretou a Fazenda lugar de peregrinação para a indulgência jubilar: “Aqui - dizia Ele - Cristo é presente na pessoa dos mais pobres, dos sofredores”. Isso nos ajudou muito a nos apropriar das palavras proféticas da Carta Apostólica Novo Millenio Ineunte, colocadas hoje em prática de um modo comovente pelo papa Francisco: “É hora duma nova « fantasia da caridade », que se manifeste não só mas sobretudo na eficácia dos socorros prestados, mas na capacidade de pensar e ser solidário com quem sofre, de tal modo que o gesto de ajuda seja sentido, não como esmola humilhante, mas como partilha fraterna”. Por isso, devemos procurar que os pobres se sintam, em cada comunidade cristã, como « em sua casa ». Não seria, este estilo, a maior e mais eficaz apresentação da boa nova do Reino? ». 2

Resoam em nós os encorajamentos tantas vezes repetidos por Dom Geraldo, também na adversidade, mas um ficou gravado definitivamente em nós, como chave de leitura: “Pequeno rebanho, grande sinal!”.

Como embaixador de tantos, queria agradecer a Deus pela história iniciada uns vinte anos atrás e que se prolonga ainda no presente. Obrigado Dom Geraldo, o Senhor vos abençoe!

Pe. Guilherme TRILLARD

Moderador Geral de Pontos Coração

1 Novo Millenio Inneunte, 43.

2 Novo Millenio Inneunte, 50.


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