Pontos Coração do Brasil
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Compaixão e consolação

«Pontos Coração não é uma obra de projetos, eu não sei fazer projetos» diz Padre Thierry

«Procuro seguir aquilo que o Senhor me pede, por meio dos eventos, dos chamados dos bispos ou dos missionários»

A graça de uma amizade como um «bem particular»

Amizades, associações e acompanhamentos espirituais

“A Regra, em verdade, o diz explicitamente: Pontos Coração é uma obra de amor que deve se exercitar especialmente com respeito as crianças pobres, abandonadas, sofridas… Mas é evidente que a extensão da Obra é mais larga. Que seria de um Amigo das crianças que passasse horas com tal ou tal pequenino e abandonasse completamente seus companheiros do Ponto-Coração, seus pais, seus amigos? Os Amigos das crianças são chamados a amar todos os homens com o mesmo coração: Um coração de compaixão e de misericórdia – eu quero dizer, as pessoas mais ricas, os padres que vos ajudam, vossos pais, vossos amigos… As vezes eu sou muito ferido vos escutando falar de algumas pessoas que querem vos ajudar e de constatar o fechamento do vosso coração em relação a eles… […] Não é assim que podemos testemunhar o espírito da Obra que é um espírito de doçura, de delicadeza, de benevolência… Eu vos suplico: Em relação a todos, sabei manifestar a bondade que o Espírito Santo quer depositar em vosso coração1!”

Quem se compromete em Pontos Coração, antes de tudo, recebeu o apelo a servir e a amar as crianças mais pobres, as mais sofridas. Como Amigo das crianças, no entanto, se nós não podemos ter a mesma disponibilidade com todos, também não podemos fechar a porta a ninguém. Nossa missão é universal.

Em torno de cada Pontos Coração, freqüentemente existe toda uma rede de amigos que nos ajudam e nos apóiam cada um à sua maneira, que têm também seu papel à desempenhar.

Perto deles, cada um pode achar um real reconforto e um apoio quando as circunstâncias são mais difíceis ou quando ele se sente demasiadamente cansado.

No entanto, é preciso reconhecer que este é um sujeito delicado em vários Pontos Coração. Freqüentemente, por medo de faltar à nossa missão “saindo” do bairro ou freqüentando pessoas de outros meios, nós temos dificuldades em manter estas relações, estabilizadas pelo visitador, ou pelas comunidades precedentes. Nós podemos então, ter dificuldades em viver uma amizade verdadeira, simples e gratuita ou a não ter d’a priori negatifs face a tais pessoas. Estes amigos fazem parte de nossa vida em Pontos Coração. Ser-lhes fiel, cuidar destas relações vai contra a nossa missão. Nós somos chamados a deixar a compaixão tomar tudo em nossa vida., cada pessoa que encontramos, cada ato que nós fazemos. Nossa fidelidade ao carisma passa também por esta abertura à todos e uma atenção particular aos amigos que apóiam a Obra. Nosso papel não é então de ajudar estes amigos a melhor compreender e entrar no carisma?

A um certo momento de nossa missão, nós podemos ser confrontados em situações que nos mergulham num certo desassossego (uma grande dificuldade com uma amigo do bairro, problemas imobiliários… etc.). Apesar de todos os esforços de nossos visitadores e dos responsáveis da Obra para estarem perto de nós em tais momentos, nós podemos nos sentir sois, inclusive desamparados, em razão, particularmente, da distância que nos separa deles. Portanto, é importante poder nos apoiar sobre pessoas próximas, para avançar. Um tal apoio nós podemos achá-lo também, além de amizades evocadas acima e associações locais, perto de uma pessoa que nos ajuda em nossa vida espiritual.

O seguimento espiritual talvez, em certos países, seja uma questão delicada: O visitador pode não ter mais que um ou dois nomes a propor. Além do mais, para numerosos Amigos das crianças empreender um tal trâmite é qualquer coisa de novo e pode então parecer difícil. Isto exige, portanto, um passo na confiança: confiança no visitador que propôs estes nomes, confiança na pessoa a quem nos dirigimos. Este passo pode nos custar muito, mas ele é necessário para satisfazer nossa sede de ser ajudados, apoiados, encorajados.

A confiança em uma pessoa não surge de hoje para amanhã. Ela é um caminho. Nós podemos começar por nos confessar, fazer contato. Se através destas confissões, destes diversos contatos, uma confiança é nascida e um crescimento se concretiza, nós podemos então decidir ir mais longe. É importante dar passos. Como avançar sem isto?

Para concluir esta reflexão sobre as diferentes amizades que vivemos em Pontos Coração, parece importante evocar nossa ligação com a Igreja local. É bom nos interrogarmos sobre nossa integração, nossa relação com as paróquias e as comunidades. Pontos Coração não é um “fenômeno” que se isola e se mantém à distância, mas tem sempre a preocupação de entrar na realidade do país com um coração aberto que procura compreender antes de julgar. Neste senso, é bom conhecer e fazer-se conhecer outras comunidades.

1. Carta de Pe. Thierry aos AdC, em 13/06/1993.

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