• 20 de maio de 2010
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Carta da Obra

Um texto de Padre Thierry de Roucy, fundador da Obra Pontos Coração

* Situação

* Que são os Pontos-Coração ?

* Onde fundar os Pontos-Coração ?

* Quem habitará os Pontos-Coração?

* Que espírito animará os Amigos das Crianças?

* Que farão os Amigos das Crianças ?

* Uma Obra de comunhão eclesial

* O funcionamento material da Obra

* Liturgia de envio

* A responsabilidade nos Pontos-Coração

* A Associação Pontos Coração

* Uma obra frágil como a infância

Situação

Menina na India

Existem crianças que não sabem mais sorrir. Existem crianças que estão sozinhas no mundo. Existem crianças que comem terra e lixo para acalmar a fome. Existem crianças que são vendidas. Existem crianças que os ricos utilizam como objeto de prazer. Existem crianças de dez anos às quais são confiadas armas. Existem crianças que são torturadas.

Ora, cada vez que uma criança é tratada assim, cada vez que uma criança vive tais dramas, eis que se forma sobre nosso planeta um ponto negro, um ponto de vergonha para a humanidade inteira. Mais ainda, cada vez que uma criança é tratada assim, é o Corpo de Cristo que é atingido, que é ferido, que é desfigurado.

Para remediar esta situação, os Estados tomam medidas, a ONU promulga a Declaração Universal dos Direitos das crianças. E mil obras foram criadas, civis ou religiosas, que têm por missão, vir em socorro das crianças do mundo inteiro.

Contudo, as necessidades ainda são imensas! É por isso, talvez, que recebemos a intuição de criar uma pequena milésima primeira Obra que confiamos à sua oração. Uma obra cujo desenvolvimento desejamos porque amamos infinitamente as crianças e sabemos o quanto Deus é presente em seus corações.

Uma obra cujo desenvolvimento desejamos porque cremos que as crianças são as mestras, inocentes e vulneráveis, que Jesus nos designa: «Se não vos tornardes como as crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus» (Mt 18, 3). Uma obra cujo desenvolvimento esperamos porque temos o imenso desejo que a dignidade das crianças do mundo inteiro seja totalmente reconhecida.

A esta Obra, queremos dar o nome eloquente de "Pontos-Coração”.

Que são os Pontos-Coração ?

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No Ponto Coração da Itália

Os Pontos-Coração querem ser pequenos lares disseminados pelo mundo inteiro, simples refúgios de amor e ternura, onde cada criança (da rua), poderá ser amada, acolhida, escutada, respeitada, enfim, olhada com um olhar que comunique o ardor do amor — «Fitando-o, Jesus o amou» (Mc 10, 21).

Onde fundar os Pontos-Coração ?

Os Pontos-Coração serão fundados em todas as dioceses cujos bispos solicitarem e acolherem. Para sua fundação, será escolhido o bairro onde se encontram as crianças mais infelizes entre as mais infelizes, as mais abandonadas entre as mais abandonadas.

O Ponto-Coração se assemelhará, o máximo possível, às moradias do bairro em que será implantado e os Amigos das Crianças — é assim que serão chamados os que habitarão os Pontos-Coração — tratarão o menos possível de melhorar ou ajeitar o lugar para evitar que depois de alguns anos este lar se torne um palácio.

Logo que os Amigos das Crianças chegarem à «morada do Rei» que a Providência lhes conceder, farão um cantinho para a oração que os ajudará a voltarem-se sem cessar a Deus, mas que ajudará, mais ainda, as crianças que virão visitá-los, a descobrirem a presença constante de Deus em seu próprio coração.

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Na capela do Ponto Coração das Filipinas

Quem habitará os Pontos-Coração?

Noinício, os Pontos-Coração serão fundados por um — ou vários — Servidores de Jesus e Maria. Depois poderão ser fundados por alguns jovens que já tenham vivido esta experiência em outro lugar, por religiosos ou religiosas de outras congregações ou por sacerdotes seculares, prontos a respeitarem inteiramente o espírito e a finalidade da Obra.

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No Lebano

Contudo, a maioria dos Amigos das Crianças serão jovens, vindos dos quatro cantos da terra, que receberam o chamado a darem, pelo menos um ano de suas vidas, ao serviço dos pequenos. Poderemos despertar as vocações através de palestras, folhetos, artigos. Estes jovens serão, antes de tudo, jovens que buscam a Deus, dotados de uma real capacidade de adaptação a um idioma, a uma cultura e a costumes diferentes dos seus.

Deverão gozar de uma boa saúde física e, sobretudo, de um real equilíbrio psicológico e afetivo. Antes de sua partida, os responsáveis da Obra avaliarão sua capacidade. Entretanto, não se pedirá aos Amigos das Crianças competências especiais em matéria de educação, de formação, de psicologia; lhes será pedido, antes, que ousem dar-se sem medida e que tentem amar a essas crianças como Deus as ama - "Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros” (Jo 13, 34).

Antes de partir para o Ponto-Coração que lhes será designado, os Amigos das Crianças deverão receber uma preparação espiritual, participando dos finais de semanas de formação que os ajudarão a entender bem o espírito da Obra. Também poderão, assistindo a palestras, lendo obras que lhes serão aconselhadas, etc., começar a entender o país no qual irão viver. Enfim, é necessário que possuam um bom conhecimento da língua que utilizarão para comunicar-se. Ao chegar no país, serão acolhidos e ajudados por aqueles que já moram no Ponto-Coração. Durante várias semanas, os «antigos» os ajudarão a assumir, por sua vez, a missão, apresentando-lhes o bairro, as crianças, compartilhando suas experiências. Este revezamento permitirá uma real continuidade na missão dos Pontos-Coração e impedirá que a brusca partida dos antecessores produza uma nova ferida no coração das crianças.

Pode-se esperar também que alguns jovens permaneçam mais de catorze meses para criar maior estabilidade na comunidade. Além disso, em cada casa se escreverá um diário, bastante detalhado, cuja leitura permitirá aos recém chegados descobrir a história da casa, as experiências que nela foram realizadas, as pessoas que nela foram acolhidas, a evolução de algumas crianças do bairro, etc.

Que espírito animará os Amigos das Crianças?

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Patrick e as crianças, no Casaquistão

Amigos das Crianças serão animados por um real espírito de doçura e humildade. Não partirão como conquistadores, mas sim como servidores, até mesmo como discípulos. Começarão essa aventura com a certeza de que receberão muito mais do que trarão e imediatamente darão graças a Deus por tê-los chamado a este serviço.

Eis alguns pontos que caracterizará, particularmente, sua presença:

•Os Amigos das Crianças viverão uma fé viva, reconhecendo em cada um daqueles dos quais vão se aproximar, o Senhor presente «sob as espécies da criança» (Padre Peyriguère); eles os respeitarão infinitamente, manifestando-lhes, assim, sua dignidade de homem e de filho de Deus. Este respeito se manifestará bem concretamente no vocabulário e no tom de voz que se rão utilizados para falar às crianças ou das crianças — evitar-se-á, assim, por exemplo, todo termo depreciativo ou um tanto vulgar… — no modo de escutar o que elas dirão e nos gestos pelos quais lhes expressará o afeto. Claro, isto requererá, de início, que os Amigos das Crianças testemunhem entre si um grande respeito, que saibam escutar-se até o fim e que manifestem uns aos outros, delicadeza e mútua atenção, num espírito de real castidade.

• Tentarão viver na mais perfeita comunhão, formando um só coração, perdoando-se o mais rápido possível após terem se ofendido e tantas vezes seja necessário; jamais se criticarão uns aos outros, porém se estimarão e se animarão no Senhor.

• Se esforçarão para que seu modo de viver não cause nenhum escândalo no coração dos pequeninos aos quais servirão.

• Evitarão toda queixa, todo espírito de comparação com aquilo que tenham deixado, toda tomada de posição política, toda crítica ou todo julgamento sobre as pessoas com as quais serão chamados a passar o ano.

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Visita no orfanato, Casaquistão

• Irão às crianças com o coração de Jesus, que O levou a pôr-se de joelhos diante dos Seus discípulos e a lavar-lhes os pés.

• Não hesitarão em transmitir o Evangelho de maneira explícita às crianças que encontrarão, respeitando, no entanto, seus costumes, sua educação, etc.

• Elegerão a Virgem Maria como aquela que lhes ensinará, dia após dia, a viverem as Bem-Aventuranças e a terem atitudes, reflexos, palavras e gestos verdadeiramente evangélicos, ou seja, a serem portadores da Boa Nova.

• Apesar dos sofrimentos que encontrarão e que poderão submergi-los, tratarão de acolher para si e de levar às crianças, em todas as circunstâncias, a alegria da esperança.

• Saberão celebrar as festas litúrgicas com dignidade e comunicar às crianças o sentido profundo dessas celebrações; tentarão também ressaltar, mediante um ou outro sinal, os acontecimentos da vida familiar da casa: festas, aniversários, acolhida de um hóspede, etc.

• De vez em quando, os Amigos das Crianças não hesitarão em tirar um dia ou mais de descanso comunitário; poderão também, quando sentirem necessidade, retirarem-se em solidão para relaxarem ou rezarem mais intensamente.

• E, sobretudo, os Amigos das Crianças se reunirão frequentemente em seu «cantinho de oração» ou na igreja mais próxima, para voltarem-se para Deus, dando-Lhe graças por Sua bondade e Sua misericórdia, pedindo que lhes conceda uma profunda comunhão — «Este é o sinal…», confiando-Lhe todas as crianças e as misérias que encontrarem, mas também as crianças e as misérias do mundo inteiro — em particular aquelas conhecidas nos Pontos-Coração. Os Amigos das Crianças recitarão juntos, a cada dia, o terço: é a oração dos pobres e dos pequenos, e esta oração atrairá uma presença particular da Virgem Maria, verdadeira Fundadora da Obra, em cada um desses pequenos refúgios de amor.

Em sua oração quotidiana, os Amigos das Crianças contemplarão particularmente o Senhor Jesus no Presépio e na Cruz, onde, mais do que em nenhum outro momento de Sua existência terrena, Ele se mostra desarmado, pequeno e vulnerável. Pela manhã e ao entardecer, celebrarão a Liturgia das Horas e farão todo o possível para participarem todos os dias da missa, onde receberão a graça de entregarem-se sem medida ao Pai, presente em cada um daqueles a quem são enviados.

Recorrerão finalmente à intercessão dos Santos Inocentes, de São Vicente de Paula, de Santa Teresinha do Menino Jesus, de São João Bosco, do padre João Eduardo Lamy e invocarão aos seus Anjos da Guarda para que os guiem e os sustentem, particularmente nas circunstâncias mais delicadas.

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Virgem, presbitero de Pignans, França

Isto basta para dizer o quanto cada Pontos-Coração é, antes de tudo, uma comunidade contemplativa. Porém, a palavra não deve assustar! A oração tornará cada um, cada vez mais generoso e «eficaz», e o Espírito Santo, que concede Suas luzes na oração, permitirá descobrir, sem hesitação, as verdadeiras necessidades daqueles que rodeiam os Amigos das Crianças.

É evidente que esta experiência será um enorme enriquecimento para os jovens que a ela consagrarão um tempo de suas vidas. Ela pode comovê-los e lhes permitirá, sem dúvida, descobrir o essencial e olhar a continuidade de sua existência de maneira radicalmente nova, com objetivos diferentes daqueles que tinham anteriormente. Tomo como exemplo esta frase recebida recentemente de uma voluntária de Madre Teresa, em Calcutá: «Tenho a impressão de fazer um grande retiro porque, em contato com a pobreza mais radical, cada um é necessariamente chamado a interrogar-se sobre o sentido que quer dar à sua vida.»

E há ainda, esta palavra de Jesus que não se poderá deixar de experimentar: "Aquele que receber uma destas crianças por causa do meu nome, a mim recebe; e aquele que me recebe, não é a mim que recebe, mas sim àquele que me enviou” (Mc 9,37).

Que farão os Amigos das Crianças ?

Para os Amigos das Crianças, o essencial não será fazer. Há escolas, hospitais, orfanatos… Os Pontos-Coração não serão nada disso. Serão simplesmente lares, em nada especializados, onde as crianças saberão que sempre poderão vir para serem escutadas, amadas, compreendidas. Isto não impedirá, claro, que se o amor os chamar, os Amigos das Crianças possam ocasionalmente dar de comer às crianças, cuidar delas, induzi-las à leitura e à escrita, ajudá-las neste ou naquele assunto, acolhê-las por uma noite, ensinar-lhes o catecismo e a oração. Neste sentido, os Pontos-Coração serão humildes complementos das famílias.

Os Amigos das Crianças poderão também organizar para os pequenos: passeios, jogos, encontros, enfim, toda atividade casual que lhes abrirá novos horizontes. Isto exigirá, com certeza, dos Amigos das Crianças, uma grande flexibilidade, uma constante disponibilidade e um verdadeiro espírito de criatividade.

Os Amigos das Crianças agirão em profunda comunhão com o bispo da sua diocese e com o pároco do lugar onde irão viver. Tratarão, também, de tecer laços estreitos com as diferentes obras dedicadas à educação e com os hospitais construídos nos arredores, nos quais poderão prestar alguns serviços casuais e para onde poderão encaminhar, ocasionalmente, as crianças que precisarem de formação e cuidados. Neste sentido, cada Ponto-Coração se definirá ainda como uma «ponte» entre a rua e a paróquia, entre a rua e as organizações de caridade.

Desta forma, trata-se, para os Amigos das Crianças, de ser um coração paterno, materno e fraterno ao mesmo tempo, um coração atento, compassivo e acolhedor. O essencial para eles consistirá na qualidade de sua presença, e esta será tanto maior quanto maior for a qualidade da sua presença diante de Deus. Neste sentido, os Amigos das Crianças serão, antes de mais nada, «adoradores em espírito e verdade» (Jo 4,23).

Suplicar-se-á, então, aos padres que acolherão os Pontos-Coração de respeitarem sua vocação e de não solicitarem constantemente os Amigos das Crianças para tarefas paroquiais — mesmo quando tiverem necessidades imensas que, aliás, entendemos perfeitamente — para ajudarem essa ou aquela escola, obra, hospital… Isso desviaria os Pontos-Coração de sua verdadeira vocação e não respeitaria a intuição que nos foi dada. Espera-se que os Amigos das Crianças estejam o máximo possível nas ruas do seu bairro ou na sua casa, prontos a acolherem a quem bater…

Dever-se-á reconhecer um espírito comum em todos os Pontos-Coração. Entretanto, cada um deles poderá ter atividades distintas, segundo o lugar onde estarão estabelecidos e a maneira pela qual o Espírito Santo os conduzirá. Os diferentes Pontos-Coração manterão relações epistolares freqüentes, profundas tanto quanto possível, que contribuirão para formar esse espírito constitutivo da família Pontos-Coração.

Uma Obra de comunhão eclesial

Nosso grande desejo é que a Obra Pontos-Coração seja fator de unidade na Igreja e que essa unidade se construa em torno da criança pobre, como em outros lugares se constrói em torno do deficiente, do doente e do idoso. Para este fim, desejamos ardentemente que vivam nos Pontos-Coração jovens vindos de diversos movimentos — franceses ou estrangeiros — ou membros de comunidades religiosas ou institutos seculares diferentes.

Nesses tempos, parece-nos, com efeito, necessário que a Igreja Católica testemunhe, por todos os meios, o seu desejo de comunhão e que este desejo se encarne em tempos de vida comunitária, onde aprende-se a livrar-se dos preconceitos, a conhecer-se, amar-se, rezar e a trabalhar juntos. As necessidades são tais que é oportuno unir as forças e não multiplicar as iniciativas.

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Leigos permanentes de Pontos Coração

Temos, então, confiança que os superiores religiosos assim como os bispos, permitirão aos membros de suas comunidades ou de seus cleros de viverem, se desejarem, a experiência de passar um certo tempo a serviço das crianças mais pobres em um Ponto-Coração. E, com certeza, o que poderá parecer no início um sacrifício para uma congregação ou para uma diocese, logo se revelará como imensa fonte de graças para essas mesmas congregações, dioceses e para toda a Igreja.

O funcionamento material da Obra

SERÁ pedido, se possível, aos jovens que permanecerão nos Pontos-Coração, que se encarreguem das suas despesas de viagem. Se eles possuem algum rendimento, poderão também encarregar-se das despesas de sua estadia; caso contrário, procurarão “padrinhos” que cada mês, lhes doarão um valor para ajudá-los a manter-se. Pode-se imaginar também que estudantes, escoteiros, artistas, organizem atividades cujo benefício reverta-se em proveito da Obra. Porém, jamais as questões financeiras devem impedir a um jovem de viver essa aventura em Pontos-Coração, uma vez que a Associação sempre providenciará ajuda para a casa ou para o Amigo das Crianças em dificuldades.

Também se procurará reduzir, o máximo possível, os gastos operacionais da Obra, recorrendo a voluntários para todas as tarefas administrativas e de difusão, simplificando ao extremo, as estruturas.

Liturgia de envio

Antes de irem para o lugar que forem designados, os Amigos das Crianças participarão em seu país de origem, de uma missa de envio, durante a qual:

• A assembleia invocará, de modo bem particular, o Espírito Santo sobre cada um dos que serão enviados.

• Os Amigos das Crianças proclamarão: - sua vontade de serem verdadeiramente servidores de Deus junto aos pequeninos que servirão e verdadeiras testemunhas da Igreja Católica, sua Mãe; - sua vontade de permanecerem profundamente unidos; - sua vontade de comprometerem-se a viver durante toda sua estadia no Ponto-Coração, em espírito de oração, castidade, pobreza e humildade; - sua adesão plena e irrestrita às perspectivas da Obra.

• O celebrante lhes dará um terço que será sinal da importância da oração mariana e da ajuda que a Virgem Maria concederá a cada um daqueles que partirão. Na cruz do terço, será entalhado um coração para lembrar o essencial da mensagem evangélica e a missão de cada um dos Amigos das Crianças: «Ser um coração, todo coração, nada mais que um coração» (Maurice Zundel).

A responsabilidade nos Pontos-Coração

A frente de cada casa, o fundador da Obra ou o presidente da Associação, nomeará um responsável, todavia este buscará tomar as decisões em unanimidade perfeita com seus companheiros. Seria bom que os Amigos das Crianças revezem, entre eles, no decorrer do ano, a experiência da responsabilidade da casa.

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Padre Thierry e crianças nas Filipinas

A Associação Pontos-Coração

Trata-se de uma associação de utilidsade pública, criada para dirigir, ajudar e fazer conhecer a Obra Pontos-Coração, não sendo esta, com efeito, dirigida pela Congregação dos Servidores de Jesus e de Maria. Ela é composta de membros fundadores, membros de honra, membros ativos e membros aderentes. O lugar de informação e casa matriz da Obra encontra-se em Vieux-Moulin (Oise) – França.

Uma obra frágil como a infância

Tenho infinitamente consciência da audácia que representa a fundação desses pequenos refúgios de amor, da fragilidade que sempre caracterizará a Obra tendo como alicerce o voluntariado e uma missão delicada a cumprir em situações particularmente difíceis, de aflições e sofrimentos. Enfim, tenho consciência de sua aparente ineficácia aos olhos do mundo e da tentação constante que os Amigos das Crianças terão de querer “fazer alguma coisa”, de criar estruturas, de organizar atividades que permaneçam.

Enquanto a Obra viver na fidelidade à intuição que nos foi dada, ela caminhará sobre as águas e exigirá daqueles que serão responsáveis, uma confiança constante. Mas acaso não é o chamado que Jesus dirige aos homens ao decorrer do Evangelho: «Não andeis preocupados […] vosso Pai celeste sabe que tendes necessidade de todas essas coisas. Buscai, em primeiro lugar, seu Reino e sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas. Não vos preocupeis, portanto, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã se preocupará consigo mesmo. A cada dia basta o seu mal.» (Mt 6,32-34)? Não é esta a condição —um abandono total — para que uma obra como esta seja realmente profética?


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