• 16 de dezembro de 2015
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Carta aos padrinhos n°4 Duarte, voluntário na Argentina

Caríssimos padrinhos,

Numa tarde bem quente de princípio de primavera, contemplando as magníficas serras da província de São Luís, decido-me a escrever-vos esta carta, a fim de compartilhar as alegrias de uma missão que não cessa de se renovar no sopro do Espirito Santo.

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Sabem que temos uma nova companheira de comunidade? Chama-se Kelsy, tem 21 anos e é Norte – Americana, juntos vamos compartilhar uma nova missão que está prestes a começar, da qual falarei um pouco mais adiante.

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Foto: (da esquerda para a direita): Mirya, Alicja, Eu, Mãe e Pai, P. Eduardo, Magdalena e Darek.

La Tortuga Gigante

Há poucos meses, iniciamos os ensaios da peça de teatro, La Tortuga Gigante, com alguns dos meninos do nosso bairro. O autor Horácio Quiroga é uruguaio, mas viveu grande parte da sua vida na selva da província de Missiones, na Argentina. Pensamos que seria interessante adaptar para teatro, um dos contos da sua obra mais conhecida – “ Los Cuentos de la Selva”. A obra trata da relação entre um homem que vive só numa longínqua floresta, e uma tartaruga salva por ele das garras de um tigre feroz. Enfermando-se gravemente o homem e correndo eminente perigo de vida, vem em seu auxílio a sua amiga tartaruga que o leva às costas até Buenos Aires, de modo a encontrar um médico que salve o seu amigo.

É uma história simples, mas suscita o entusiasmo das crianças, pelo facto de imitarem os animais. Na maioria dos ensaios realizados não estiveram presentes mais de três actores, mas aproveitamos a ausência de uns para trabalhar a leitura e a interpretação do texto individualmente.

Uma noite, chegados do descanso habitual da terça- feira, vemos que à porta da nossa casa estavam todos a representar. Um actuava, e os demais batiam palmas e faziam comentários com vozes empoladas e posturas teatrais. E o mais surpreendente é que ninguém estava fora do jogo e que mesmo os mais mal comportados participavam! E agora há que pôr mãos à obra, porque a estreia será em pouco mais de um mês.

A generosidade de Suzana

Uma tarde fui visitar juntamente com Darek uma família muito querida; Susana e Manuel têm dois filos dos quais dois são já adultos. Vivem numa casa centenária, perto da casa de Pontos – Coração. O sustento da família é garantido pelo trabalho de Manuel, que se ocupa de vender o cartão que encontra pelas ruas.

Entrámos na casa de Suzana e após as afectuosas saudações, oferece-nos, sem qualquer hesitação, a torta frita que tinha sobre a mesa. Olhando-a nos olhos, compreendi que a pequena porção era o seu jantar. Disse-lhe: Mas Suzana, não vão necessitar mais tarde….? Respondeu-me com os olhos lacrimejantes e com um sorriso de orelha a orelha: Come! Está muito boa! O seu olhar não dominado pela tristeza, mas sim inundado pela alegria de quem oferece tudo sem reservas, como a viúva pobre de que nos fala o Evangelho.

“Em verdade vos digo que esta viúva pobre deitou mais do que todos os outros; pois eles deitaram no tesouro, do que lhes sobejava enquanto ela, da sua indigência, deitou tudo o que tinha para viver.” (Lc 21, 3-4)

Esta é uma das inúmeras memorias que levarei de Villa Jardín, na qual recebi muito mais do que dei, na qual criei tais laços de amizade que ficarão gravados como selo no meu coração. (Ct 8, 6)

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Um abraço em Jesus e Maria e até breve!


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