• 7 de julho de 2010
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Ana Paula no Senegal

Queridos amigos Antes de mais nada, para aqueles que ainda não me conhecem e que agora terão oportunidade de conhecer-me, meu nome é Ana Paula, tenho 29 anos, cheia de juventude, baiana da gema, simões filhense de coração.

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Ana Paula

Depois de 1999, tive a graça de conhecer a Obra Pontos Coração, cuja sede fica em Simões Filho. Meu olhar foi invadido de uma grande curiosidade por esses europeus que participavam, a cada dia, da Missa em minha paróquia. Depois de muitas perguntas, um amigo meu, de nome André, muito conhecido em Simões Filho, que conhecia bem a Obra e participava de muitos eventos da mesma, levou-me à Fazenda do Natal, esse pequeno Paraíso de compaixão que muitos de vocês conhecem bem.

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Igreja da Fazenda

Quando tomei conhecimento deste pequeno lugar, perdido em Passagem dos Teixeira, meus olhos não podiam crer no que viam. Meu coração foi invadido de uma grande gratidão pela pessoa que tinha fundado esta Obra e que se ocupava de maneira tão educativa e cheia de amor por meu povo. Depois desse dia fiz contato com o Ponto Coração de Simões Filho, que se tornou minha segunda casa.

A alegria, o amor dos voluntários diante de tanta pobreza e dificuldades me marcou a tal ponto, que desejei fazer a mesma coisa. Foi então que descobri que eu também poderia ser uma voluntária de Pontos Coração por um ou dois anos.

Comecei minha formação na Fazenda e, para minha grande surpresa, fui escolhida para servir no Ponto Coração da Argentina. Fui enviada para lá em 2001, para um bairro bem difícil que se chama Villa Hipódromo. A princípio minha missão seria por 14 meses, porém o amor por esse povo me tomou inteiramente e decidi ficar dois anos.

A missão na Argentina, eu sempre digo, salvou minha própria dignidade como pessoa; ver tantos pobres, dignos, me surpreendeu muito. Essas crianças, no meio de tanta violência, capazes de dar tanto amor e viver pequenos gestos de amizade tão simples…

Em um determinado momento, uma grande amiga de nosso Ponto Coração ficou gravemente enferma e, durante muito tempo, não podia levantar-se da cama. Com três filhas pequenas, não foi fácil. A menor, Georgina, durante esse tempo também caiu doente e durante uma semana ficamos com ela no hospital. Uma noite, vendo ela chorar tanto, com dor, meu coração só pedia uma coisa: que fosse eu a sofrer no lugar desse pequeno anjo. Nessa noite eu disse a Georgina: a partir desse momento, minha vida será consagrada para salvar sua vida a e de todos os pobres que o Senhor me der. Nesse instante o Senhor semeou no meu coração minha vocação. Depois de muitos caminhos de discernimento, com meu Diretor Espiritual, escrevi uma carta para o Padre Thierry, nosso fundador, para pedir de seguir com Pontos Coração como leiga consagrada.

Seguindo esse caminho de discernimento, fui enviada ao meu paraíso tropical: a Fazenda do Natal, onde vivi uma linda experiência humana de compaixão. A Fazenda foi o lugar onde minha vocação foi enraizada na alegria e na dor. Depois da Fazenda fui enviada ao Ponto Coração do Equador e depois de um ano e meio de missão, segui para a França para um ano de formação a fim de alimentar minha vocação, que segue sempre na alegria.

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Ana Paula e menino em Senegal

Atualmente estou em missão no oeste da África, mais precisamente no Senegal, há quase dois anos e é essa linda e grandiosa missão que lhes venho presentear. Chegando ao Senegal, a coisa que mais me tocou foi a TERENGA (o acolhimento), uma coisa bem característica do Senegal; você pode ser o mais estranho do mundo, sempre terá aqui um lugar, na alegria, no momento da comida; em cada momento as portas são abertas. Aqui não é preciso avisar para visitar as pessoas; chega-se e senta-se como amigo, é só alegria!

Outra coisa que me toca muito são as crianças, a capacidade delas de amar e de deixar-se amar. Minha primeira permanência, que significa ficar para preparar as refeições (café da manha, almoço e jantar), dirigir a oração e brincar com as crianças à tarde, graças a Deus, uma pessoa da comunidade me ajudou. Eu inventei de brincar do lado de fora da casa pois dentro era bem pequeno e, para minha grande surpresa, 100 crianças eram presentes. Fala sério!... fiquei impressionada pela quantidade e a qualidade das crianças de participarem dos jogos que eu propus; claro que com alguém fazendo a tradução! Às vezes me pergunto se minhas origens não são africanas, pois aqui me sinto como em minha casa.

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Permanência no Ponto Coração do Senegal

Meu coração se enche de alegria, quando vejo Fatouba, amiga de muito tempo de Pontos Coração, que vive no bairro onde se encontra o grande lixão onde fazemos apostolado cada quarta-feira, que passa todo o dia procurando madeira para vender, que chega a fazer só uma refeição por dia e que, mesmo assim, é capaz de nos convidar sem problema. Tem Ablaye que vive também no lixão e que para o trabalho assim que nos vê, para nos oferecer um chá e passar um tempo com a gente. O senso da disponibilidade dentro de uma grande gratidão é bem presente aqui: os africanos costumam dizer que na Europa temos o relógio e na África o tempo.

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Natal no Ponto Coração

É dentro dessa mesma disponibilidade que nossos amigos africanos são grandes mestres para minha missão. “A alegria do Senhor é nossa força”, essa é a palavra chave para esse país 90% mulçumano, mas sem discriminação: branco, católico ou não, todo mundo que chega faz parte da família. Padre Thierry nos diz: “que alegria de viver e de amar sem contar”; essa é a alegria que eu aprendo, a cada dia, aqui no Senegal.

Sou muito feliz e cheia de reconhecimento a Pontos Coração por tudo o que vivi e vivo até agora, e peço a Deus que me dê a graça de ir até o fim dessa missão, sempre colocando o homem no centro de tudo, com a preocupação que seja a dignidade a primeira a ser salva. Aqui tem algumas fotos desta missão. Rezem para mim e para a vocação de jovens brasileiros para essa linda aventura de compaixão: http://picasaweb.google.com/anapaul...

Ana Paula.


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