• 6 de setembro de 2013
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Almocei com o Papa!

Marcelo Galeano, argentino, ex voluntário no Ponto Coração da Sagrada Família, Simões Filho, em 2009-2010. Trabalhou nas traduções da JMJ no Rio de Janeiro. Com mais 11 jovens do mundo inteiro, ele almoçou com o Papa Francisco, sexta feira, 27 de julho. Eis aqui as impressões dele:

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Como foi este almoço com o Papa?

Foi bem simples e ao mesmo tempo bem intenso. Estávamos, 12 jovens, a maioria trabalhando no COL (Comitê de organização local). Ele foi bem simples, um pastor, um pai. Começou saudando cada um de nós, pessoalmente, como se a gente já se conhecesse. Depois disse: «Falem o que vocês quiserem, perguntem o que quiserem, é o momento. Se tem algo que vocês não estão de acordo, me falem. Estou aqui para os escutar e saber o que vocês pensam.”

Falaram de que durante o almoço?

De tudo, especialmente sua preocupação com os jovens. Ele falou também das mudanças na Igreja, o que tem que mudar: “não é somente um problema de mudança de estrutura, mas sim uma mudança de mentalidade”. Trata-se de “sair e ter um coração mais pastoral”...

Que outro assunto ele tocou?

Ele falou o quanto é importante ter pessoas que nos acompanhem e nos ajudem em nossa vida de fé. “Não podemos viver sozinhos. Como Papa eu não sei tudo, preciso de pessoas para me acompanhar. É por isso que tenho pessoas que me acompanham, e também meu confessor”. Ao fim do encontro, ele falou algo que nos fez todos chorar. Uma moça perguntou a ele sobre o sofrimento, morando numa família na qual uma criança tinha problemas de coração: “Como é possível uma criança sofrer assim? Onde este Deus?”O Papa respondeu: “Vou lhes fazer uma pergunta. Não respondam agora, mas depois, durante a oração. Por que vocês pensam que inocentes sofrem no mundo? Por quê? Por que é que jovens matam a si mesmos, pessoas morrem... vocês encontrarão respostas quando seu coração chorar por eles e então, sem dúvida, serão mas perto do coração de Deus”.

Ele insistiu num ponto particular?

Ele nos encorajou a sermos protagonistas de nossa própria vida. “Hoje tem um problema grave, é a desumanização das pessoas, a cultura de jogar tudo fora. Muitos jovens são excluídos hoje e também as pessoas de idade. Não se pode excluir os jovens e os idosos, que são os dois pilares da sociedade: os jovens são a força do futuro e os idosos transmitem a sabedoria. Temos que tomar conta deles”.

E demorou o almoço?

Sim, estávamos com fome, o Papa também. Ao fim, ele nos perguntou: “Quando vocês se sentem mal, vão aonde? Uma criança vai nos braços da mãe; então agora cada um, na sua língua, vai rezar uma Ave Maria”. Depois chegou a polícia e ele ficou triste de nos deixar, mas chegou também um cafezinho para prolongar esse momento com ele. Se tivesse que dizer uma palavra sobre este encontro, diria: simplicidade. Mas ao mesmo tempo foi excepcional.


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