• 5 de dezembro de 2008
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A experiência de uma misteriosa partilha

O que no começo me comoveu, foi um grito: aquele de milhões de crianças. Grito às vezes silencioso, mas que rasga o coração, pois procede de um sofrimento que atinge o mais íntimo do ser.

«Hoje, está na moda falar do humanitário. E neste sentido, freqüentemente perguntam-me se Pontos-Coração é uma obra humanitária. Para dizer a verdade, eu não sei muito bem… O que eu creio, é que Pontos-Coração é uma obra humana, muito humana na medida em que ela tenta manter os olhos fixos em Jesus Cristo.

Quando fiz os primeiros tramites para a fundação da Obra, a intuição que tinha recebido não me parecia tão extravagante. Eu tinha ao menos a certeza tão nítida que o homem – e sobretudo aquele atingido pelo sofrimento – tinha necessidade de uma presença compassiva ao seu lado, que jamais questionei a veracidade desta intuição. Hoje, esta sede de presença do coração humano me aparece como um grito violento, como uma urgência manifesta. Não somente tenho a convicção que é a sede mais íntima do homem, mas sou possuído por esta obsessão – que partilho ao menos com todos os Amigos das Crianças – que é preciso oferecer um amigo aos pobres e aos pequenos, para que eles vivam como homens, um amigo de coração infinito que preencha o infinito dos seus corações.

O sofrimento nunca é abstrato, anônimo, desvinculado. Ele fere um coração, desfigura um rosto. Atinge uma pessoa.

É o incrível sofrimento daquele seminarista vietnamita, encarcerado durante vários anos em um calabouço obscuro, lutando dia após dia para não tornar-se louco… É o sofrimento daquele jovem argentino, violentado na sua infância, expulso de sua casa, violentado de novo, entregue à droga .

O único critério de êxito que Deus dá aos homens é o amor. Por esta razão, para nós, servir aos pequenos e aos pobres, é amá-los tais como Deus os ama, com seus sofrimentos, seu ódio, suas críticas; é ir além da indiferença e aceitar ser ferido; é ser uma presença que respeita verdadeiramente a liberdade do outro. Em cada encontro se faz a experiência de uma misteriosa partilha. Escutando o pobre, revelamos-lhe sua dignidade.»

Padre Thierry de Roucy


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