• 18 de junho de 2010
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A expansão da compaixão

De um Ponto Coração a outro n° 38, março de 2002

Quando comecei Pontos-Coração, não ignorava o fato de que o sofrimento era uma realidade amplamente partilhada. Não ignorava, tampouco, que ele atingia cada homem de maneira bem diferente e que ele se declinava sobre os seres humanos de múltiplas formas. Doze anos depois, o percebo ainda mais presente, mais lancinante, mais assustador. Dou-me conta de que ninguém, em sua vida, escapa à cruz e freqüentemente vejo a humanidade como o corpo de um grande crucificado.

Isto quer dizer, que diante desta onipresença da paixão, o campo da compaixão se revela cada dia mais vasto. Tanto crianças e velhos, ricos e pobres, doentes e exilados têm necessidade de consolação, de apoio e de afeto! Nós não cessamos de sonhar que a compaixão esteja presente em todo lugar onde alguém sofre, em todo lugar onde um povo sofre, em toda parte onde um ambiente tornou-se um Gólgota. Não cessamos de sonhar – e mais ainda de rezar – para que a compaixão invada o coração de todos.

Os pedidos de fundações de Pontos-Coração são numerosos. Se o número de Amigos das Crianças fosse suficiente e nós suficientemente em condições de formá-los e acompanhá-los corretamente, a cada mês, poderíamos abrir uma nova comunidade. E ainda assim haveria grandes faltas.

Doravante, parece que o essencial da nossa missão, talvez, não é mais isso, ainda que a fundação de um novo Ponto-Coração permaneça para nós sempre uma grande graça. Antes, o essencial é que o carisma da Obra se expanda aqui e acolá, que ele ganhe terreno, que muitos desejem vivê-lo ali onde estão, ali onde trabalham, ali onde descansam. Para isto é necessário que cada um esteja impregnado dos sentimentos que habitavam o coração da Virgem Maria quando ela se mantinha de pé junto ao seu Filho crucificado.

Neste sentido, na ocasião de minha última estadia em Manilha, eu tive uma grande consolação ao constatar o desenvolvimento atingido pela fraternidade São Maximiliano Kolbe sob o impulso do Padre Vincent Lelièvre. Esta fraternidade foi fundada na França em 1997 para permitir aos Amigos das Crianças que tinham retornado da missão, continuar viver o carisma de Pontos-Coração em sua vida cotidiana; para ajudar todos os Amigos da Obra, que por outro lado jamais poderão partir em missão a ser em torno deles os instrumentos de compaixão da Virgem Maria. Os membros dessa Fraternidade se encontram várias vezes durante o ano para fins de semana de formação e de amizade, para um tempo de retiro, para uma semana de férias. Eles se comprometem por três anos a viver do espírito da Obra Pontos-Coração na vida cotidiana, a rezar diariamente o terço, a prestar semanalmente um serviço à Obra Pontos-Coração ou ter um apostolado regular junto àqueles que sofrem, a dar uma contribuição financeira mensal à Associação e, finalmente, participar anualmente de um retiro espiritual de no mínimo três dias com os demais membros da Fraternidade. A Fraternidade filipina possui hoje quinze membros. Ela é composta de pessoas que, de uma forma ou de outra, foram tocadas pelo carisma da Obra e querem vivê-lo cotidianamente. Eu passei todo um domingo com este pequeno grupo, cujo contentamento e entusiasmo me alegraram muito. Também fui encontrar um ou outro membro da Fraternidade em casa e, imediatamente, reconheci em sua morada o mesmo espírito que encontro em cada Ponto-Coração que visito. Eu quero dizer, um verdadeiro espírito de oração, assim como de uma grande abertura aos pobres e àqueles que sofrem, de uma delicada atenção para com cada um, de um verdadeiro abandono à Providência de Deus. Tais casas, tais corações, como eu desejo que existam muitos no mundo! Pe Thierry de Roucy


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