• 14 de janeiro de 2010
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Pontos Coração: 20 anos no mundo

Assista aos slides sobre os diferentes Pontos Coração no mundo

Discurso pronunciado nas Mostras Fotográficas Pontos Coração em Genebra, São Paulo e Salvador/Ba em 2009. Padre Thierry de Roucy (França), fundador de Pontos Coração.

Pontos Coração foi fundado em 1990 para oferecer compaixão e consolo para aqueles que mais sofrem. Abrimos lares nos lugares mais abandonados da Ásia, América do Sul e Norte e na Europa.

Jovens vieram de numerosos países para comprometer-se de maneira benevolente doando seu tempo e suas vidas para seus novos amigos.


- Hoje, Ponto-Coração tem quase 40 centros em 20 países. A cada ano são, aproximadamente, 180 voluntários presentes ao redor do mundo, testemunhando a beleza e a grandeza das pessoas que servimos. Através da maneira como são olhadas e de como se olham a si mesmas elas aprendem, pouco a pouco, a descobrir sua infinita dignidade e extraordinária beleza, além dos critérios físicos que a moda gostaria de impôr.


- Diante do valor das suas existências, cada uma encontra, pouco a pouco, coragem e capacidade.

- O caminho feito durante 20 anos a Pontos Coração, nos permite descobrir que a maior pobreza, além da falta de dinheiro, é a falta de sentido. O maior sofrimento, além da dor física, é a falta de relacionamento. Numa palavra, a maior pobreza se nomeia com certeza «absurdo», o maior sofrimento «solidão».

- Por outro lado, numerosas são as experiências pelas quais podemos dizer que a simplicidade de uma amizade constitui a maior das riquezas. No final da década de 80, durante os bombardeios de Beirut, no Líbano, fui ao abrigo subterrâneo de uma casa. Na escuridão, percebia-se o medo no rosto de cada um, menos no de uma criança, que tinha um grande sorriso. Aproximei-me dela para descobrir seu segredo... Mostrando-me que segurava a mão de uma outra criança menor ainda, ela me explica que quando temos um amigo, não há razão para ter medo nem para estar triste. De volta ao Brasil, me foi contada a história dessa senhora que chegou de repente numa casa de Pontos-Coração, para dizer aos voluntários: «Estou aqui para agradecer-lhes. Ontem, quando queria acabar com minha vida, vi vocês. Cruzando seu olhar, tomei consciência que se tais sorrisos existiam, a vida valia a pena ser vivida. Então, hoje de manhã, vim à procura daqueles que evitaram que acontecesse o pior, para agradecê-los.»


- Se eu tinha que guardar uma coisa desses 20 anos dedicados a servir essas pessoas pobres e sofredoras através do mundo, o que eu guardei é que a sua necessidade, a mais fundamental – tal como a nossa –, além de não morrer de fome, é a de ter amigos com quem partilhar a vida pois, o ser humano – ser de relacionamento – vive de maneira verdadeiramente digna quando ama e é amado.


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