• 20 de outubro de 2012
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E depois... (Pe Thierry de Roucy)

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Na imprensa a moda é o leitmotiv. Cada semana, os jornais impressos ou televisivos parecem ser aqueles que decidem sobre o tema que será tratado diversas vezes, sem grande originalidade, até que a temática seguinte tome o seu lugar. Um após outro, trata do terremoto de Haiti, dos mineiros chilenos, de DSK, das eleições francesas... Quando se vê o espaço que lhes é consagrado nas mídias, pode-se crer que cada um destes temas tem mais importância do que o mundo inteiro! Em seguida, o silencio é total. Rapidamente não sabemos mais nada dos haitianos, nem dos mineiros, nem dos japoneses por quem o mundo se tem inquietado tanto... Desapareceram das colunas... Parecem quase como mortos... Recentemente fui informado, por vários correios, que um dos meus amigos tem um câncer generalizado, que talvez os seus dias estejam contados. A noticia me inquieta. Ela não me deixa tranquilo. Cada dia me pergunto: agora que o diagnostico já foi feito, como esta ele? Como os mais próximos suportam o fato? Peço noticias e fico ligado ao que segue após o diagnostico. Uma sexta feira, Cristo morreu na Cruz. E depois? Depois, teve o sábado, dia mais vazio, mas odioso, mas doloroso ainda que a véspera... Eu quero estar ali no sábado santo para velar. No mundo inteiro, tem o “dia seguinte” do drama, pior ainda que os dias mesmos. São os “dias seguintes” da ausência, as manhãs do desespero, as manhãs que duram eternamente. Eu sonho que Pontos Coração possa estar ainda lá após este dia, quando for consumado o veredicto, quando o silencio se instalar, quando o acontecimento se fechar no tumulo do esquecimento.

Pe Thierry de Roucy


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